Um poderoso fazendeiro precisava de um cão para fazer a guarda de sua
fazenda. Primeiramente fez uma pesquisa, pois necessitava de um que fosse
corajoso, trabalhador e fácil de ser domesticado. Indicaram que com estas
qualidades, o melhor entre eles, seria um da raça pastor alemão. O homem não
perdeu tempo e buscou na cidade um belo e forte animal. O cão realmente parecia
ser possuidor de todos os atributos que ele necessitava, deixando-o tão seguro
e satisfeito que deu ao animal o nome de “Doutor”.
O fazendeiro sentia-se cada vez mais
recompensado pelo investimento, pois Doutor cumpria responsavelmente os
instintos de sua natureza corajosa e de fidelidade. Na fazenda nunca mais houve
ameaças de estranhos mal intencionados, fossem elas do bicho homem ou de outras
espécies.
O tempo foi passando e Doutor cada vez mais se acostumando à nova vida. Dormir sobre a lama e comer em cocho era-lhe cada vez mais familiar. Afinal, se um agente não modifica o seu meio, o meio se encarrega de modificar o agente - essa é uma regra da natureza. Mas o ambiente hostil e totalmente inadequado à natureza de Doutor, foi deteriorando suas capacidades físicas e sensitivas, fazendo dele um fraco guardião. O fazendeiro, percebendo que aquele já não atendia às suas necessidades, julgou-o como preguiçoso e ineficiente, tratando logo em providenciar um substituto. A Doutor foi dado o prêmio do abandono à sarjeta, como se faz às coisas que não nos são mais úteis .
O tempo foi passando e Doutor cada vez mais se acostumando à nova vida. Dormir sobre a lama e comer em cocho era-lhe cada vez mais familiar. Afinal, se um agente não modifica o seu meio, o meio se encarrega de modificar o agente - essa é uma regra da natureza. Mas o ambiente hostil e totalmente inadequado à natureza de Doutor, foi deteriorando suas capacidades físicas e sensitivas, fazendo dele um fraco guardião. O fazendeiro, percebendo que aquele já não atendia às suas necessidades, julgou-o como preguiçoso e ineficiente, tratando logo em providenciar um substituto. A Doutor foi dado o prêmio do abandono à sarjeta, como se faz às coisas que não nos são mais úteis .
A história desse personagem “Doutor”,
remete-me pela semelhança, à realidade de um outro “doutor”. Assistimos
passivamente ao longo dos anos, o descaso das autoridades com a figura do
médico, chegando ao extremo do desrespeito e aviltamento. Mas estou cansado de
falar às autoridades, pois elas não têm ouvidos. Quero dirigir-me aos colegas
de missão, corresponsáveis pelo flagelo em que vivemos. A nossa omissão, muito
em parte, por conta da vida profissional egoísta que praticamos, está nos
conduzindo ao aniquilamento. Estamos cada vez mais fracos como cidadãos, como
resultado da aceitação passiva a todos os deméritos que são a nós atribuídos, a
maioria deles, injustamente. Tratam-nos como porcos, enquanto exigem de nós
comportamento de “pastor alemão”.
Não bastassem as péssimas condições de
trabalho a qual somos submetidos, a falta de segurança ao exercício da
profissão, aos salários costumeiramente aviltantes, e principalmente, o
silêncio exigido de nós quanto à eutanásia omissiva praticada pelo Estado,
vê-se agora, representantes públicos intencionados em mascarar a verdade dos
fatos, colocando sobre os ombros dos profissionais da saúde toda a culpa pela
mazela instituída nos ambientes hospitalares ao longo dos anos. Venha a público
qualquer um dos incidentes, infelizmente rotineiros ao dia-a-dia hospitalar, e
rapidamente, com uma habilidade viperina, as autoridades depositam a carga da
culpa sobre os ombros dos emudecidos. Esses mesmos incidentes não despertam as
suas indignações enquanto mantidos em silêncio dentro dos muros das
instituições. Ameaçam a nossa dignidade e autonomia de forma tão inescrupulosa
porque já não têm por nós o respeito que merecemos. Culpa de quem? Certamente
eles são os agentes da ação, mas todo fenômeno representa o resultado entre a
força acionária e a força reacionária, e nessa equação, devemos assumir a maior
parcela de culpa, já que a reação esperada de nós, sempre beirou à omissão.
Como o objetivo astucioso de se eximirem,
figuras do Governo propagam apoteoticamente as suas bravatas, e agora, mais uma
vez chicoteiam os seus cãezinhos na segurança de que eles não latirão, pois há
muito tempo se comportam como porcos. Aproveitam-se de casos isolados de falhas de algum profissional, e logo os transformam em "jingles publicitários", de causa irresponsável pela mazela do Atendimento à Saúde. E como bufões da justiça, prometem a regeneração através do controle quase que policialesco do
cumprimento de nosso ofício. É como se considerar imprestável toda uma
plantação de laranjas, porque uma das árvores foi tomada por lagartas. Na visão
do plantador medíocre, é melhor derrubar toda a plantação do que investigar onde
ele falhou.
Defendo que o exercício da Medicina, como
de qualquer outra esfera de trabalho seja praticado de modo honesto e
responsável, e também que toda prática réproba seja devidamente disciplinada.
Mas recuso o tratamento desleal e nefasto o qual recebemos. E defendo com vigor:
- se mais uma vez nos acovardarmos diante dessa opressão mentirosa, estaremos passivamente
renunciando à nossa dignidade.
Que não permitamos continuar sendo
tratados como o Doutor “pastor alemão”, subjugados à vida de porcos, pois se
assim permitimos, logos estaremos agindo como porcos. Falemos agora, com toda a
força tensionada por nossas decepções, ou a voz se calará covardemente à
delinquência dos mandatários.
Encerro fazendo minhas, as palavras de
Bertold Brecht:
A árvore que não dá frutos é
xingada de estéril.
Quem examinou o seu solo?
Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento,
mas ninguém diz violentas
as margens que o comprimem.
O
galho que quebra é xingado de podre,
mas não havia o peso da neve sobre ele?
“Só se dá ouvidos a quem se faz ter voz!”
Belíssimo texto Murici!
ResponderExcluirBom conhecer este espaço.
Espero que estas palavras encontrem mais olhos e inspirem mais ações!
Abraços!
Valeu, Aninha!
ExcluirRealmente, olhos e ações é o que mais precisamos.
Um carinhoso sorriso.
Adorei! Estou compartilhando no meu Facebook e, com sua permissão, vou copiar e colar o texto lá também, com os devidos créditos, e, da mesma forma, postar no meu blog!
ResponderExcluirSensasional!
Que a nossa voz não se cale, André!
ExcluirFala Murici, bela reflexão! Parabéns!
ResponderExcluirSinto-me grato pelo seu feedback
ExcluirFala Murici, bela reflexão! Parabéns!
ResponderExcluirSão belas suas palavras, mais belas serão se o mundo tiver ouvidos para ouvir e olhos para enxergar, o mundo precisa demais de amor, tá cada vez mais carente de pessoas iguáis á vc meu amigo!!!!
ResponderExcluirSinto-me grato pelo seu feedback
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