Hoje acordei com uma necessidade urgente em
revelar o meu olhar sobre o fenômeno da Copa 2014 – urgência, porque preciso
que essa opinião seja expressa antes de começar o grande embate da semifinal
Brasil X Alemanha. Não quero ser contagiado pelo resultado, nem tão pouco, que
julguem ter sido esse a razão do meu juízo, uma vez que o mesmo já assim o é desde os primeiros dias do evento.
O início do Mundial se anunciava, e parte do
país o aguardava tomada por uma dúvida silenciosa, outra, manifestava sua
rejeição “a todo pulmão”. No país do futebol, onde seu povo respira esse
esporte com toda sua efervescência, estranhava-se o comportamento de
indiferença ou refutação. As ruas não exibiam suas alegrias em verde-amarelo,
como sempre ocorreu nos torneios anteriores. Não havia no rosto do povo o
habitual júbilo orgulhoso de ser brasileiro. Também, pudera! Apesar da paixão
incontestável, o povo se sentia traído pelos trâmites da realização do evento.
O Governo e a FIFA tratavam do espetáculo ignorando as prioridades de
sobrevivência, e essas eram as maiores esperanças de legado desejadas pelo
povo.
Porém, de repente, como um mistério de
mágica, a uma semana de começar o evento, o país acorda tomado pela paixão
latente e deixa sair o seu grito. O povo “esquece” todas as suas inquietudes e
se permite ser embalado por uma única diretriz: a vontade de mais uma vez se
auto-afirmar como campeão. Essa mudança foi obra do acaso? Não, absolutamente
não! Algo foi capaz de fazer florescer no rosto do povo a alegria e paixão que
lhes são peculiares, propiciando o “sucesso” do evento, podendo sem sombra de
dúvidas ser rotulado de a Copa das Copas por conta da alegria hospitaleira
desse povo chamado Brasil.
O atual Governo, na sua doença com delírios
de perseguição, mais uma vez vai deixar de reconhecer quem salvou essa Copa.
Ele se alimenta do ódio a quem não lhe bate palmas, e entre todas as vidraças
nas quais Ele atira suas pedras está a mídia. “Mídia Nefasta”, assim a
adjetiva. Não sei se por vontade própria ou por algum incentivo oculto aos
nossos olhos, mas de um dia para o outro, a mídia decide subvalorizar ou até mesmo
ignorar os problemas que flagelam o pais e investe pesado no discurso de
motivação fazendo com que o povo derrame suas lágrimas de patriotismo, saindo
às ruas e transformando o país num grande salão de festa – ótimo e conveniente
para todos os interessados.
Sei das consequências de tudo isso, e assim
tenho o meu posicionamento em relação aos fatos, mas não posso culpar o povo
diante o seu entusiasmo, e me esforço para o melhor entendimento do fenômeno.
Afirmo, para o bem ou para o mal, quem salvou essa Copa, fazendo dela um
delirante e até agradável espetáculo foi a mídia, por mais que isso doa aos
ouvidos dos partidários dessa política atual. Ela sim, foi capaz de motivar e
fazer com que aflorasse o sentimento reprimido pela decepção. Então que
reconheça os méritos da mídia, seja ela jornalística ou publicitária.
A mídia
salvou a Copa!
