Minha verdade não tem pacto com a eternidade, mas com o instante em que ela pulsa...
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Ouro aos Zés!
“Antes
de qualquer nódoa de julgamento, eu também sou Zé. Todos nós, nascidos do
ventre verde-amarelo, somos Zés. E também somos Zés, na orfandade política”
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Um Estado sem culpas...

Em sua
última obra filosófica, “Dos Deveres”, Marco Túlio Cícero discursa como pai, orientando seu filho a se tornar um
cidadão e homem público de bem. Num dos tópicos ele chama a atenção para o
dever dos homens que se dedicam à administração pública, representando o
Estado, a terem em vista apenas o bem comum, uma vez que se tornam tutores dos
seus cidadãos, e que a eles devem zelar com virtuosismo.
Penso que se houvesse o rigor
da sabedoria e da honradez aos nossos homens de Estado, certamente seríamos
filhos de um outro país, mas assim não o é, daí somos e temos o que aí está. Tragédias
públicas seguidas uma após a outra, e assim sucessivamente, cada uma sendo
esquecida pela dor da seguinte, vão traçando a nossa história de um povo sem pátria
política. Isso revela um Estado sem qualquer compromisso com a sua gente, além
da alegoria dos discursos. Um Estado que se julga e se posiciona eternamente
inocente, eximindo-se sempre da culpa – não por falta de convencimento técnico
ou racional, mas pela simples crueldade da esperteza.

(Foto: Reprodução / Globo News)
Centenas de famílias tiveram
suas vidas interrompidas pelo desabamento provocado pela chuva e a culpa foi de
quem construiu o seu refúgio em terras impróprias.
Cidadão é esfaqueado até a
morte, por outro que queria se apoderar de sua bicicleta e a culpa caiu para
casuística criminal de uma cidade grande.
Uma cidade inteira é dizimada
pela correnteza de uma lama oriunda do rompimento da barragem de uma mineradora,
e a culpa recaiu na fatalidade de um acidente.
Uma ciclovia com três meses de
uso e custeada em quase 45 milhões, desaba e tira a vida de inocentes homens de
bem - a culpa foi da onda.
Não quero me estender, porque
acho que a idéia já está suficientemente compreendida. Somos reféns de um
Estado maldito que desde a sua origem, vestiu-se da vocação malandra de ser
irresponsável. Somos apenas instrumentos úteis ao custeio e ao servilismo dos
seus banquetes.
Como fiz no início de minha reflexão, mais uma vez me alegro com as palavras de Cícero quando diz que um Estado para ser justo, precisa ser decente.

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