Minha verdade não tem pacto com a eternidade, mas com o instante em que ela pulsa...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Esquizofrenia Política



  Há desajustes psicológicos, reconhecidos como de natureza do indivíduo, que também podem ser observados no comportamento coletivo de certos grupos - um deles é a Esquizofrenia Política.   Esse é um mal caracterizado por um pensamento vago e obscuro, induzindo o sujeito à crença de que situações quotidianas possuem um significado diferente da realidade, o qual pode se manifestar sob variados aspectos, tendo como sintomas mais comuns os delírios de perseguição e delírios de grandeza. No primeiro caso, o sujeito crê ser perseguido por supostos inimigos, e no segundo, o sujeito projeta em si um status quo maior que a sua realidade individual. Em ambas as situações, principalmente no modelo paranóide de esquizofrenia, há altos níveis de fúria como reação de defesa ao seu delírio.   
  Assim como qualquer grupo social que é formado por indivíduos atraídos pelas semelhanças, também os partidos políticos trazem esse mecanismo de formação. Grave se torna quando um partido político guarda no conjunto dos seus, esse comportamento que beira o desequilíbrio. Um “partido esquizofrênico” rejeita lidar com a realidade como ela é, e distorce-a como mecanismo de adequação à sua convivência e conveniência.     
  Para um “partido esquizofrênico”, ele é sempre vítima da perseguição infundada. Todos são contra ele, e todos têm a vontade de destruí-lo. No seu delírio, vocifera aos quatro cantos, que supostos inimigos lhe apontam flechas venenosas, no desejo de abater as suas ideologias. Faz o discurso do “vitimismo” quando a referência é o outro. São os veículos de imprensa, são as diversas classes profissionais, são os empreendedores, são os adversários, todos estes, inimigos fantasmagóricos. No entanto, quando um “partido esquizofrênico” refere a si mesmo, ele o faz com todo o entusiasmo da hipérbole. Tudo que advém dele, traz as marcas da grandiosidade inigualável. Apenas ele é dotado de capacidades virtuosas. Apenas ele, carrega a hombridade do ofício de executar e propiciar benfeitorias. Enquanto o sujeito se crê Jesus, César, ou Napoleão, um “partido esquizofrênico” se autoconceitua como excelência democrática. Entre a sua vontade perfeita e a perseguição dos supostos fantasmas, está a mentira, como alicerce de sustentação desses seus delírios. A mentira passa a ser o seu escudo e a sua lança no propósito de convencer o rebanho útil.

 Para um “partido esquizofrênico”, se houve boa colheita, é porque ele adubou a terra e trouxe a chuva; se não houve o que colher, é porque os ventos inimigos sopraram as nuvens para longe de suas plantações. Se a sede foi saciada, é porque ele despejou nos copos a sagrada água; se há o flagelo da sede, é porque os inimigos não abriram poços; onde há bem-estar é porque ele semeou gotas de alegria; onde há tristeza é porque os inimigos se fizeram presentes.
   Um indivíduo esquizofrênico não reconhece, e por isso não admite o seu desajuste, assim também se comporta um “partido esquizofrênico”. Mergulhado em seus delírios e alucinações, um “partido esquizofrênico” se utiliza da fúria para fazer valer os seus devaneios. Ele cospe, morde, arranha e pisoteia quem os questiona. Até mesmo a Carta Magna não vale mais que um folhetim, se essa não atende aos propósitos de um “partido esquizofrênico”.
   Não desejo a qualquer cidadão do mundo, viver sob o regime de um “partido esquizofrênico”, pois a agudeza do seu desequilíbrio resulta em tirania e ditadura. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

A César o Que é de César

                                                 



   Hoje acordei com uma necessidade urgente em revelar o meu olhar sobre o fenômeno da Copa 2014 – urgência, porque preciso que essa opinião seja expressa antes de começar o grande embate da semifinal Brasil X Alemanha. Não quero ser contagiado pelo resultado, nem tão pouco, que julguem ter sido esse a razão do meu juízo, uma vez que o mesmo já assim o é desde os primeiros dias do evento.
   O início do Mundial se anunciava, e parte do país o aguardava tomada por uma dúvida silenciosa, outra, manifestava sua rejeição “a todo pulmão”. No país do futebol, onde seu povo respira esse esporte com toda sua efervescência, estranhava-se o comportamento de indiferença ou refutação. As ruas não exibiam suas alegrias em verde-amarelo, como sempre ocorreu nos torneios anteriores. Não havia no rosto do povo o habitual júbilo orgulhoso de ser brasileiro. Também, pudera! Apesar da paixão incontestável, o povo se sentia traído pelos trâmites da realização do evento. O Governo e a FIFA tratavam do espetáculo ignorando as prioridades de sobrevivência, e essas eram as maiores esperanças de legado desejadas pelo povo.
   Porém, de repente, como um mistério de mágica, a uma semana de começar o evento, o país acorda tomado pela paixão latente e deixa sair o seu grito. O povo “esquece” todas as suas inquietudes e se permite ser embalado por uma única diretriz: a vontade de mais uma vez se auto-afirmar como campeão. Essa mudança foi obra do acaso? Não, absolutamente não! Algo foi capaz de fazer florescer no rosto do povo a alegria e paixão que lhes são peculiares, propiciando o “sucesso” do evento, podendo sem sombra de dúvidas ser rotulado de a Copa das Copas por conta da alegria hospitaleira desse povo chamado Brasil.

   O atual Governo, na sua doença com delírios de perseguição, mais uma vez vai deixar de reconhecer quem salvou essa Copa. Ele se alimenta do ódio a quem não lhe bate palmas, e entre todas as vidraças nas quais Ele atira suas pedras está a mídia. “Mídia Nefasta”, assim a adjetiva. Não sei se por vontade própria ou por algum incentivo oculto aos nossos olhos, mas de um dia para o outro, a mídia decide subvalorizar ou até mesmo ignorar os problemas que flagelam o pais e investe pesado no discurso de motivação fazendo com que o povo derrame suas lágrimas de patriotismo, saindo às ruas e transformando o país num grande salão de festa – ótimo e conveniente para todos os interessados.
   Sei das consequências de tudo isso, e assim tenho o meu posicionamento em relação aos fatos, mas não posso culpar o povo diante o seu entusiasmo, e me esforço para o melhor entendimento do fenômeno. Afirmo, para o bem ou para o mal, quem salvou essa Copa, fazendo dela um delirante e até agradável espetáculo foi a mídia, por mais que isso doa aos ouvidos dos partidários dessa política atual. Ela sim, foi capaz de motivar e fazer com que aflorasse o sentimento reprimido pela decepção. Então que reconheça os méritos da mídia, seja ela jornalística ou publicitária.

                                                                 A mídia salvou a Copa!  

     

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Carta Aberta aos Canarinhos


                                       copyright2014V.Murici
UOL
     Descobri que a vitória, nem sempre é a melhor das opções, e não precisei buscar essa descoberta nas páginas do clássico japonês “A Arte da Guerra”, mas apenas dirigindo o olhar para o meu país. Algumas vitórias podem guardar veladas, algumas derrotas de dimensões imensuráveis; em contrapartida, conhecer o amargo sabor de ser vencido, pode nos levar à vitórias de maiores grandezas.
     Mesmo sabendo que vós, cidadãos civis, tais qual eu sou, também sois corresponsáveis pelas  condições sociais que o nosso povo se encontra, reconheço o vosso papel como artistas no desfecho do espetáculo, e essa é a razão de expor a público o meu pedido de desculpas por decidir não erguer a bandeira de nossa nação, nem tão pouco bradar os hinos de guerra em desejo de vitórias. É bastante constrangedor, não fazer coro por mais um título mundial - logo eu, um apaixonado por futebol. É que apesar do meu encantamento pela magia e êxtase do gol, descobri que tenho ainda mais amor pelo meu país, e me refiro ao meu país com cara de povo.

AFP
     Mais necessidade que sermos seis vezes campeões mundiais em futebol, necessitamos ver o nosso pais político empenhado em conseguir o primeiro título em educação pública, saúde pública, segurança pública, estradas públicas, e outras mais necessidades.
     Vivemos em condições absurdamente negligenciadas pelo poder político, enquanto paralelamente, observamos recordes de arrecadação meses após meses, por conta da voracidade dos impostos aos quais somos submetidos, além dos desvios de dinheiro público em números cada vez mais alarmantes. Prometeram um grande legado com a realização do evento em nossos terrenos, e o único legado que registramos é a criação de um estado de exceção, que sabemos que terá data de início e fim, pois se perpetua a velha estratégia de se governar por meio de “improvisos”.
Jornal O Povo - Fortaleza
     Nas enfermarias e até corredores dos hospitais públicos, pessoas que dedicaram toda a sua vida ao trabalho, contribuindo na mecânica econômica do país, empilham-se como se fossem entulhos de depósitos por falta de estrutura decente para o seu atendimento. Pais perdem os seus filhos, e filhos perdem os seus pais por falta de suporte às medidas necessárias, ou até mesmo por incapacidade técnica na atenção que recebem, uma vez que não é de interesse dos governantes o incentivo à carreira pública daqueles profissionais. Nas escolas, professores que estão ali motivados apenas pela paixão, fazem da "tripa, o coração” na intenção de conquistar o interesse das crianças pelo aprendizado, já que a vida fora dos muros escolares é incontestavelmente mais sedutora. Nossas estradas são estrategicamente abandonadas pelo poder público, até chegarem à condição de caos, para aí sim, desabafarem de cima dos seus palanques que a única solução é a privatização - E assim, já temos a maior malha de rodovias

pedagiadas no mundo, sendo o dobro da segunda colocada que é a Alemanha. Nosso país ocupa a 85a colocação no IDH (Indice de Desenvolvimento Humano), 88a posição na educação, entre 127 países analisados pela UNESCO – enquanto ocupamos a 1a posição em impostos, além de estarmos entre os países com maior índice de corrupção.

     Sou ciente da paixão com que o nosso povo se entrega ao futebol, talvez porque essa seja a única possibilidade de experimentarem coletivamente a sensação vitoriosa de um campeão. É por isso que ganharmos pela sexta vez, será inevitável a farra de um carnaval fora de época, e é compreensível – pois todo indivíduo gosta de vitórias, e gosta de comemorá-las. O problema é que somos um povo derrotado nas nossas necessidades essenciais, e a festa servirá apenas para mascaramento de um flagelo.
     Às vezes um guerreiro precisa ser ferido, humilhado na sua derrota, para que desperte nele a bravura que ele próprio desconhecia. É isso o que mais desejo ao meu país. O título de hexacampeão mundial em futebol, é o que pior pode acontecer ao Brasil nesse momento. Quero um novo país, e isso só poderá acontecer se houver uma nova atitude do seu povo, atitude essa que só poderá vir se ele estiver com os olhos livres do torpor da embriaguez festiva.
     Por isso, eu vos peço: compreendei a minha bandeira hasteada ao avesso.     
  



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O Kemari e o Jogo da Amizade



 copyright2014byVMurici



   Desenvolvido no Japão entre os anos 300 e 600 d.C. e difundido pelos imperadores Engi e Terei, o Kemari ainda é praticado por alguns entusiastas com o objetivo de manter as tradições, tendo em sua origem  forte ligação religiosa, além da diversão. Praticado por um grupo de pessoas (2 a 12), fazendo uso apenas do pé direito, tem como princípio maior fazer com que uma bola feita de fibras de bambu e recheada de serragem, permaneça dominada pelo maior tempo possível entre os jogadores, sem que essa caia ao chão.
   
   Os jogadores usam tradicionais vestimentas xintoístas. O campo (kakari) é um quadrado, delimitado por quatro árvores: cerejeira, salgueiro, bordo e pinheiro – uma em cada canto. A bola, tratada como algo sagrado, é a estrela maior da cerimônia, que é trazida em um galho de árvore, já que os preceitos da religião xintoísta são o respeito e a valorização da natureza. Antes do início da cerimônia, ela é cuidadosamente colocada ao centro, conduzida geralmente pelo jogador com mais idade, e que o faz através de gestos elegantes. 
   Não há perdedores ou vencedores. O objetivo é não deixar a bola cair enquanto ela é tocada de um participante para o outro. Contudo, mantê-la no ar não é nada fácil, exigindo grande esforço dos jogadores, uma vez que eles só podem tocar a bola com o pé direito, e dobrando minimamente os joelhos. Também não é permitido dar as costas para a bola, haja vista a sua simbologia sagrada.   No Kemari não há lugar para o jogo bruto ou jogadas violentas. É preciso agradar ao público, que para os participantes, não é formado apenas por pessoas, mas principalmente, por deuses, que de acordo com a religião xintoísta, assistem a cerimônia.   Trata-se de um jogo interativo que exige de cada um dos participantes o melhor da sua destreza. O grande “barato” é manter a bola em domínio o maior tempo possível, e para que isso aconteça, é necessário que cada jogador passe-a ao companheiro com a melhor possibilidade de ser dominada, e assim o jogo perpetuar. Nem sempre a bola vem fácil de ser dominada; aí antes da desistência, vem o esforço do jogador em conseguir o domínio, ajustar o equilíbrio e devolvê-la em boas condições.

   Ao tomar conhecimento dessa cerimônia,
percebi de imediato sua semelhança com o jogo da amizade. A amizade também necessita do envolvimento de mais de um indivíduo, onde a bola é substituída pelo afeto. Assim como não há kemari sem a bola, não há amizade sem afeto. Assim como não há Kemari sem o esforço de manter essa bola sob domínio, não há amizade sem o esforço de manter esse afeto cultivado. Se a bola lançada não retorna, ou quando retorna vem sempre sem o zelo do acerto, não há jogo no Kemari – assim, se o afeto nunca é compartilhado em proporções próximas, não haverá amizade – ou se acontecem, é por instantes efêmeros.
   Aristóteles reconheceu a amizade em três categorias: amizade segundo a utilidade, amizade segundo o prazer e a amizade segundo a virtude. As duas primeiras, conforme o pensamento do filósofo, são geralmente passageiras, desfazendo-se facilmente. Isso ocorre quase sempre se uma das partes não permanece como era no início da amizade, ou seja, se deixa de ser útil ou agradável. Por essa razão, quando desaparece o motivo da amizade, esta se desfaz, pois existia apenas como um meio para se chegar a um fim”. Eu as coloco numa única categoria a qual denomino de amizade circunstancial. A sua terceira categoria, amizade segundo a virtude, é a que subsiste entre aqueles que são bons (virtuosos em espírito) e cuja similaridade consiste na bondade, pois esses desejam o bem do outro de maneira semelhante, na medida em que são bons. São poucas as probabilidades dessa perfeita amizade, porque também são raros os homens assim.

   Para o antigo senador romano Marcos Túlio Cícero, a mais bela e a mais sólida das sociedades são as que a amizade, pela conformidade de inclinação, estabelece entre pessoas de bem. “Desconheço se, com exceção da sabedoria, algo de melhor tenha sido dado pelos deuses imortais aos homens, que a amizade virtuosa”.


   Tanto a amizade virtuosa como o Kemari são resultantes do esforço permanente dos seus envolvidos, e por isso, não se chega à realização de nenhum deles por meio do conforto de um estado cômodo.




domingo, 5 de janeiro de 2014

O Véu de Maya nas Paixões Políticas


                                                        copyright2014byVMurici

   Nas mitologias orientais, Maya aparece muitas vezes personificada como uma deidade. Entre os seus atributos, está o poder de cegar os devotos com as ilusões, como também de revelar-lhes a verdade­1.  Esse conceito foi aperfeiçoado pelo filósofo indiano Adi Shankara no século IX, dali, importado para o ocidente no século XIX, tornando-se parte da língua corrente entre os devotos das religiões orientais e círculos esotéricos. Dentre essas linhas de pensamentos, maya se torna o principal obstáculo ao desapego das seduções do mundo sensorial para superação dos enganos criados pelo dualismo. Assim, a expressão “véu de Maya” ou “véu da ilusão” vem da filosofia indiana e significa esconder a realidade das coisas em sua essência. Os hindus cultivavam a idéia de que o nosso mundo não é exatamente esse que vemos e somos levados a acreditar. O mundo real, segundo eles, seria algo escondido do olhar comum, acessível somente àqueles que conseguissem ultrapassar o véu de Maya2.

   Chegarmos à coisa-em-si não é das tarefas mais fáceis, uma vez que muitos são os véus a cobrirem os nossos olhos, sobretudo o das paixões. O olhar do homem comum, seja ele culto ou inculto, tende à conceituação e ao julgamento distorcido pelo véu das ilusões de suas paixões. Toda convicção é uma prisão, martelou Nietzsche em um dos seus aforismos, pois sabia ele que todo homem prisioneiro de uma paixão, é incapaz de ir além dela. O véu de Maya é a segurança do seu apego, e rasgar esse véu seria para ele, um ato escandalizado de traição a si.

   É certo que o homem, desde a sua mais remota manifestação, sempre necessitou abraçar bandeiras ideológicas, o que considero uma virtude. Fraqueza é não reconhecer o momento em que essas bandeiras deixam de flamular, ou o fazem em direções contrárias ao sopro dos seus princípios.  O homem que não rasga o véu das ilusões que cobre o seu rosto, não admite outra leitura que não aquela distorcida por sua paixão. E para não trair as suas convicções, zela em santuários sagrados, os seus ídolos, os seus filhos, ou qualquer outros de sua estima que tenham cometidos erros, mesmos mais hediondos.
   Vivemos em nosso país um momento de falácia política, onde homens que em passado não tão remoto, ergueram bandeiras e vozes da ética e da moralidade, jurando fidelidade aos princípios da retidão democrática, agora, resultado da transgressão a esses princípios, como autores de talvez, o maior crime de corrupção já revelado na política dessa república, são condenados ao confinamento - isso, após oito meses de julgamento, e sendo representados pelos melhores advogados desse país.

   Decretado o veredicto da culpa, e antigos seguidores bradam solitariamente, serem esses homens injustiçados na interpretação dos seus atos, desejando a eles a condecoração de heróis. Ora, o véu das ilusões mais uma vez distorce a realidade. Reconhecer que suas bandeiras se macularam com nódoas da corrupção, da subversão e de outras mazelas, parecem causar-lhes a sensação de perdedores de uma causa, o que não é verdade. Falha-se o homem, mas a idéia se mantém intacta à espera de outros capazes de sustentá-la.
   Dizer inocentes, aqueles que se utilizaram da máquina do poder para corromper e buscar a satisfação de seus interesses pessoais e partidários à custa da traição à crença e esperança de um povo, faz-me lembrar a história do ladrão que assaltou a casa do vizinho, mas cuja mãe dizia não ser o seu filho culpado, e culpado sim, era o vizinho que não passou o ferrolho na porta.