“Antes
de qualquer nódoa de julgamento, eu também sou Zé. Todos nós, nascidos do
ventre verde-amarelo, somos Zés. E também somos Zés, na orfandade política”
A festa foi linda, e surpreendendo
a descrença, fizemos brilhar os olhos do mundo. A vergonha, por conta da perda
da credibilidade promovida pelo caráter desvirtuado de nossa política, deu
lugar à comoção afetuosa de nossa alegria, e assim a festa se coloriu em gala.
Em alguns momentos, nos entristecemos? Sim,
entristecemo-nos. Parecia faltar o que se busca numa competição - faltava a
vitória, pelo menos na escala em que se espera de um país onde seu povo é
apaixonado por esportes. E a gente se punia em frustração pela queda dos Zés,
pela falta de precisão dos Zés, pelos movimentos cansados dos Zés, por cada
esperança calada após os gritos de “Vai, Zé!... Vai, Zé!...” Ora, toda gente tem
desejo de heróis e de campeões... não
seria diferente conosco. Parecia que orquestrávamos a música, mas não dançávamos
a valsa. O pódio dourado era território do outro, até que a bravura engasgada
no peito de Zé, golpeou ao tatame a sua
própria raiva e dor, e por um instante, esse sentimento explodiu em nossas
bocas como se a vitória fosse própria.
Acredito que na trajetória de todo campeão,
é essencial a vitória sobre o adversário, mas que só chegam a esse confronto
final, aqueles que conseguiram vencer uma primeira e mais decisiva batalha - ou
seja, a vitória sobre si mesmo, e sobre as condições que a vida lhe impõe.
Talvez tenhamos que entender, que o resultado no placar de medalhas não
expresse verdadeiramente a conquista dessa nação de Zés. Porque nós, milhões de
Zés, travamos nossas lutas solitariamente. Não recebemos de quem deveríamos
receber, nem o apoio, nem as ferramentas essenciais no dia-a-dia de qualquer
campeão. Não temos aliados, temos aproveitadores de nossos esforços, por isso
somos campeões com o vigésimo ou mesmo, trigésimo lugar.
Pelos Zés que desafiaram a descrença de sua
luta solitária...
Pela bravura dos Zés que buscaram o improviso
para o exercício do seu treinamento...
Pelo despudor dos Zés que mendigaram ajuda
para alimentar os seus sonhos...
Pela dor dos Zés que cairam ainda longe da
chegada final, derrubados pelo cansaço desproteinado, pelo amadorismo da
técnica, pelo susto do coração...
E também pelos que tiveram o privilégio de dançar a valsa gloriosa...
Pelos outros milhões de Zés, que das
arquibancadas deixaram o peito explodir em alegria, tristeza, e às vezes até a raiva indelicada... tudo pela vontade de sentir o gosto da glória..
Por toda essa valentia, essa
audácia, esse afeto...
E pelo desabafo do Zé, literalmente formiga
(Futebol Feminino): “Não desista de nós,
porque nunca vamos desisitir”..
.....o Ouro é nosso! o Ouro é do Zés!
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