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| UOL |
Descobri
que a vitória, nem sempre é a melhor das opções, e não precisei buscar essa descoberta nas páginas do clássico japonês “A Arte da Guerra”, mas
apenas dirigindo o olhar para o meu país. Algumas vitórias podem guardar veladas,
algumas derrotas de dimensões imensuráveis; em contrapartida, conhecer o amargo sabor de ser vencido, pode nos levar à vitórias de maiores grandezas.
Mesmo sabendo que vós, cidadãos civis, tais qual eu sou, também sois corresponsáveis pelas
condições sociais que o nosso povo se encontra, reconheço o vosso papel
como artistas no desfecho do espetáculo, e essa é a razão de expor a público o
meu pedido de desculpas por decidir não erguer a bandeira de nossa nação, nem
tão pouco bradar os hinos de guerra em desejo de vitórias. É bastante
constrangedor, não fazer coro por mais um título mundial - logo eu, um
apaixonado por futebol. É que apesar do meu encantamento pela magia e êxtase do gol, descobri que tenho
ainda mais amor pelo meu país, e me refiro ao meu país com cara de povo.
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| AFP |
Vivemos em condições absurdamente negligenciadas pelo poder político, enquanto paralelamente, observamos recordes
de arrecadação meses após meses, por conta da voracidade dos impostos aos quais
somos submetidos, além dos desvios de dinheiro público em números cada vez mais
alarmantes. Prometeram um grande legado com a realização do evento em nossos
terrenos, e o único legado que registramos é a criação de um estado de exceção,
que sabemos que terá data de início e fim, pois se perpetua a velha estratégia
de se governar por meio de “improvisos”.
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| Jornal O Povo - Fortaleza |

pedagiadas no mundo, sendo o dobro da
segunda colocada que é a Alemanha. Nosso país ocupa a 85a colocação
no IDH (Indice de Desenvolvimento Humano), 88a posição na educação,
entre 127 países analisados pela UNESCO – enquanto ocupamos a 1a posição
em impostos, além de estarmos entre os países com maior índice de corrupção.
Sou ciente da
paixão com que o nosso povo se entrega ao futebol, talvez porque essa seja a
única possibilidade de experimentarem coletivamente a sensação vitoriosa de um
campeão. É por isso que ganharmos pela sexta vez, será inevitável a farra de um
carnaval fora de época, e é compreensível – pois todo indivíduo gosta de vitórias, e
gosta de comemorá-las. O problema é que somos um povo derrotado nas nossas
necessidades essenciais, e a festa servirá apenas para mascaramento de um
flagelo.
Às vezes um guerreiro precisa ser ferido,
humilhado na sua derrota, para que desperte nele a bravura que ele próprio
desconhecia. É isso o que mais desejo ao meu país. O título de hexacampeão
mundial em futebol, é o que pior pode acontecer ao Brasil nesse momento. Quero
um novo país, e isso só poderá acontecer se houver uma nova atitude do seu
povo, atitude essa que só poderá vir se ele estiver com os olhos livres do
torpor da embriaguez festiva.
Por isso, eu vos peço: compreendei a minha
bandeira hasteada ao avesso.

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